Reguengos de Monsaraz #5

 Last day in dreamy Reguengos e a promessa de um regresso…

O último dia em Reguengos obrigou a uma visita a Mourão, não podíamos ir embora sem uma passagem pela Adega Velha.

É o Alentejo numa Adega. Devem-se contar pelos dedos das mãos o número de restaurantes de alma Alentejana neste “nosso” Alentejo que ainda resistem ao passar dos tempos. Este encontra-se em Mourão, vila Alentejana na margem esquerda do Guadiana, numa rua onde a pequena “tabeleta” nos indica o local e onde o entoar do Cante Alentejano nos confirma que chegamos ao sítio certo.

Vá com calma, vá com alma, que o Alentejo é inimigo da pressa. Aqui cozinha-se a mais de 20 anos e faz-se vinho da talha a mais de um século, pelo que o Alentejo puro está aqui , entranhado nas paredes e chão deste espaço que já foi só Adega e que agora é  Alentejo vivo, mantido por aqueles que servem, produzem e frequentam este espaço.

Para aconchegar o estomago antes do almoço veio para a mesa um belo queijo da região, salpicão, azeitonas e pão alentejano tudo bem regado com o vinho da talha (produção própria), entre as entradas e a sopa da panela que veio depois entoava pela Adega o cante Alentejano que um grupo de amigos entoava ao balcão enquanto bebia um copo de vinho. Uma refeição perfeita e impossível de descrever. Espero que se mantenha assim por muitos e bons anos, da nossa parte será um até breve.

“Embriagai-vos!”

Reguengos de Monsaraz #4

 

Monsaraz

Antes de começar a falar sobre Monsaraz devo confessar que adoro tudo o que é vila e feira medieval, gosto do misticismo e da atmosfera que se respira nestes locais. Então, assim sendo dar um salto a Monsaraz era uma “obrigação”.

E fomos logo pela manhã depois de um pequeno almoço reforçado! Estacionamos o jipinho na entrada de Monsaraz, onde aproveitamos para tirar umas fotos maravilhosas do Alqueva visto da encosta, e seguimos a pé, pois esta vila como todas as vilas medievais são para ser descobertas a pé.

Então e assim que entramos na vila o que encontramos? A loja de vinhos Ervideira! Fica na antiga escola pública de Monsaraz, podem adquirir vinhos, fazer provas e marcar visitas a adega (como eram 11h da manhã achamos um bocado cedo para provas de vinhos e ficamos apenas pelo registo fotográfico).

Adoro esta calçada milenar e a forma como mantêm a originalidade da vila, vão com tempo e passeiem, observem, respirem este ambiente não sei como sentir esta vila de outra forma. Acho que o mais turístico que fizemos nesta primeira ida a Monsaraz foi comprar uns “souvenirs” nesta lojinha junto ao castelo, o que valeu a pena, não achei nada caro e têm bastante variedade.

"Uma imagem vale mais que mil palavras" Confúcio

E esta vila é a personificação desta citação, visitem-na, deambulem pelas ruas sem roteiro definido, observem as casas, as ruas, a vista imensa sobre o Alentejo, admirem as lojinhas que parecem ter sido retiradas de uma qualquer casa de bonecas, a vila é linda e merece uma visita sem pressa.

O almoço foi aqui “Taverna os Templários”, provavelmente não terá sido a melhor escolha para o que pretendíamos, estava um dia extremamente quente e a nossa ideia era tapear, felizmente eles têm uma carta de entradas magnifica e conseguimos o propósito (fiquei com vontade de regressar para provar os pratos de “faca e garfo” que tinham muito bom aspecto), posto isto o almoço foi regado com um  Verdelho 2014  “a estalar” e as tapas:

  • queijo ao forno com azeite e tomilho fresco
  • azeitonas
  • salada de polvo
  • salada de pimentos assados
  • prato de fumados (presunto, salpicão e painho regionais

O almoço também serviu para planear a tarde, trilho do wikiloc que nos levou por vinhas, herdades, Menir do Outeiro (este é conhecido como Penedo Comprido e é considerado um dos mais notáveis da Península Ibérica) e junto ao Alqueva. Uma tarde espectacular por Reguengos off-road.

O jantar foi no MARAVILHOSO O Barril, não podíamos terminar a nossa escapadinha sem ir experimentar este Restaurante, tinha lido muitíssimo bem sobre ele tanto no boa cama boa mesa, como no tripadvisor, e tenho-vos a dizer que não defraudou absolutamente em nada… Gostamos tanto que voltamos no dia seguinte para o jantar de despedida por terras Alentejanas, tive pena de termos guardado esta ida para o final da viagem. Erro que não iremos cometer na próxima ida a Reguengos.

Ora este  jantar propriamente dito teve como entrada umas linguiças com ananás e azeitonas, que não chegaram a ser fotografadas (shame on me) e esta Maravilhosa sopa de Cação, a melhor que já comi até hoje, acompanhado de um Reguengos Reserva 2012 não podia ter sido mais perfeito. Vão até lá, prometo que não se vão arrepender!!!

next last day in dreamy Reguengos… Stay tuned

Reguengos de Monsaraz #3

O Alentejo é lindo…

Para o terceiro dia tomamos o pequeno almoço tarde no hotel e aproveitamos um pouco a piscina. Saímos antes de almoço para dar uma volta pela cidade e decidir onde almoçar, depois de recorrer ao tripadvisor o Plano B foi o escolhido.

Caímos no Plano B um pouco por acaso, estávamos perto e já era tarde para andar a procurar restaurantes, um dos últimos comentários do tripadvisor dizia que os lagartos de porco preto grelhados com migas de espargos eram os melhores do Alentejo e isto foi razão mais que suficiente para entrarmos. A entrada do restaurante é bastante imponente com uns tetos abobados altíssimos o que contrasta com a decoração moderna do espaço, na minha opinião torna o ambiente um pouco frio mas nada de grave.

Ora o que realmente interessa é a comida e essa meus amigos não nos defraudou em nada, muito pelo contrário, os lagartos com migas de espargos são realmente os melhores que comi até hoje, são a especialidade da casa e são realmente imperdíveis. Acompanhamos com um vinho tinto da casa que estando no Alentejo é sempre óptimo, a sobremesa teve que ser uma iguaria tipicamente alentejana, sericaia com ameixa em calda, uma pequena maravilha. Para terminar uma refeição do melhor que o Alentejo tem para oferecer, um licor de vinho branco produzido pelo empregado que nos serviu, tão bom que não resistimos a trazer connosco duas garrafinhas um branco e um tinto.

Para contrariar a vontade terrível de fazer uma sesta após almoço, fomos visitar a Adega CARMIM (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz – criada em 1971por um grupo de 60 viticultores com o objetivo de produzir e comercializar vinho, a partir da uva de um grupo de viticultores da região), como era domingo e não tínhamos feito marcação prévia não conseguimos visitar a Adega nem fazer a prova de vinhos o que não nos impediu no entanto de visitar a loja e trazermos uns quantos exemplares connosco com o objetivo de fazer a prova em casa! E foram eles (farei um post individual sobre cada um):

  • Monsaraz Alicante Bouschet
  • Monsaraz Cabernet Sauvignon
  • Monsaraz Trincadeira / Aragonês
  • Monsaraz Syrah
  • Reguengos Garrafeira dos sócios
  • Reguengos Reserva em Homenagem a José Mestre Batista

Já que estávamos numa de compras e “recuerdos” fomos até São Pedro do Corval

S. Pedro do Corval é o maior centro oleiro do país conta actualmente com 22 olarias distintas entre si, no modo de trabalhar o barro e na maneira de decorar as peças “pintura”.

A primeira paragem foi no Centro Interpretativo da Olaria, Casa do Barro,  esta destina-se a preservar os pedaços de história desta comunidade, instalada numa antiga olaria que foi recuperada para nos dar a conhecer todo o ciclo desde o barro ao produto final, um pedaço de história viva que vale a pena conhecer.

Depois de visitarmos a Casa do Barro demos uma volta pelo Corval e visitamos algumas lojas de olaria, acabamos por comprar um jarro de vinho e alguns copos “very tipical” na olaria José Cartaxo.

Terminadas as compras foi altura de regressar ao hotel e aproveitar a piscina num final de dia de Outono a saber a Verão.

O jantar foi no Aloendro, este restaurante tem uma esplanada fantástica o que nos permitiu aproveitar o pôr-do-sol enquanto degustávamos um Tapada do Barão tinto acompanhado de umas entradas tipicamente alentejanas, presunto, queijo, pimentos assados com alho e azeitonas pretas temperadas como só os Alentejanos sabem. Gostamos tanto do vinho que para acompanhar o prato principal, atum braseado e chocos fritos escolhemos o Tapada do Barão branco, o que tornou a refeição perfeita.

Next…

Monsaraz

 

Reguengos de Monsaraz #2

Herdade do Esporão

Tudo começou quando andava nas pesquisas de adegas, herdades e afins uma vez que íamos num espírito de Enoturismo. Quando entrei no site da Herdade do Esporão (cliquem na foto acima para o link da Herdade) bati com os olhos no programa pôr-do-sol, e pronto ficou decidido na hora como ia ser o início da escapadinha a Reguengos.

Não podia ter escolhido melhor início…

Saímos do Outeiro do Barro, como era relativamente cedo e estavamos perto da Herdade (cerca de 15 min) decidimos ir em modo TT até lá, marcamos o ponto no gps e lá fomos, demoramos cerca de 1 hora a chegar e valeu muito a pena, o caminho que escolhemos levou-nos por entre as vinhas uma paisagem tão maravilhosa e tão imensa que até me esqueci de fotografar, shame on me!  Chegamos ao final da tarde como era suposto e encontramos uma paisagem de cortar a respiração.

O programa “pôr-do-sol” acontece na esplanada do Restaurante da Herdade, ora a esplanada termina onde inicia a vinha, podem imaginar uma paisagem que se estende até ao perder da vista. A acompanhar a vista e o sabor um Deep House Chill Out Lounge Music torna o fim de tarde no Esporão uma experiência a repetir, aqui  a máxima “nunca voltes ao lugar onde já foste feliz” não se aplica.

O menu do programa consistia em petiscos reinventados pelo chef, regados com vinho á escolha (garrafa ou servido a copo)

  • Monte Velho Tinto 2013
  • Vinha da Devesa Rosé 2012
  • Verdelho 2011
  • Vinho da talha tinto
  • Sangria Branca ou rosé

Nós para iniciar e acompanhar as entradas optamos pelo Verdelho 2011, gostei mesmo muito (eu esquisitinha do vinho branco me confesso), achei o vinho fresco, aromático e bastante agradável ao paladar, foi o ideal para degustar antes e durante as entradas.

E as entradas??? Fico já cheia de fome só de pensar nas entradas, mas cá vão:

  • Pão alentejano
  • Degustação de azeites do Esporão (com direito a explicação, muito bom)
  • Cascas de batata com molho de alho torrado
  • Mousse de aves com pickles da horta
  • Tábua de queijos e carnes curadas

E entretanto passamos ao tinto!

Para acompanhar o prato principal Cabeça de Xara com ameixa assada, o Monte Velho foi perfeito, vinho tipicamente alentejano composto por uvas de toda a região foi o ideal para terminar esta experiência visual e gastronómica. Como dizem na Herdade

“Sempre fiel às suas origens, Monte Velho é o Alentejo num copo”

… e eu não podia estar mais de acordo!

See u soon

Reguengos de Monsaraz #1

Hoje foi dia de acordar com a vontade de entrar no carro e partir á descoberta. Não sendo possível, e para apaziguar a necessidade, passei o dia a planear a próxima grande viagem deste ano e a tirar algumas ideias para escapadinhas de fim de semana. O que me levou a revisitar fotografias de férias e escapadinhas anteriores, e assim irá começar uma série de posts sobre o Maravilhoso Alentejo do meu coração, mais propriamente sobre Reguengos de Monsaraz e o que andamos a fazer por lá.

Ora venham daí…

Era um Outubro quente a fazer lembrar o início de Verão e não o fim, Reguengos tinha ganho a classificação de Capital Europeia do Vinho (o que fez que em 2016 registasse a denominação de “Capital dos Vinhos de Portugal”) e isto foram razões mais que suficientes para ir lá passar um fim de semana mais prolongado.

 

Outeiro do Barro (foto retirada do Google)

Ficamos por aqui, Outeiro do Barro (cliquem na foto para o site ) a 1 km de Reguengos de Monsaraz onde as vinhas começam até as perdermos de vista.

E não podíamos ter escolhido melhor, fizemos a reserva de 2 noites pelo Booking mas acabamos por ficar 4, por isso já podem ver  o quanto gostamos. Vai ser difícil descrever este sítio mas vou dar o meu melhor.

Fotos pessoais e retiradas do site do Outeiro

O Outeiro do barro é uma quinta rural com várias casinhas (os quartos), em volta de um pomar de laranjeiras que se prolonga até á piscina de água salgada. Cada casinha possuí um pequeno alpendre com mesa e cadeiras ideal para petiscar ou saborear um bom vinho Alentejano enquanto o sol se põe.

O pequeno almoço servido na sala ao lado da recepção é um verdadeiro manjar dos Deuses Alentejanos, bolo caseiro do dia é algo com que se pode contar sempre, bem como vários queijos e enchidos locais, variedade de pães, iogurtes variados, sumo de laranja natural, café expresso, uma pequena maravilha que se não tivermos cuidado ficamos também almoçados! Não deixem de subir até ao terraço por cima da sala tem uma vista panorâmica maravilhosa.

Claro que esta boa experiência se deve á Maravilhosa Rita e igualmente Maravilhosos pais que tornam este espaço na nossa casa desde o momento que passamos os portão, são incansáveis em tornar a estadia memorável e fazem com que a partida se torne num até já.

Deixo-vos com este paraíso…

Next o pôr do sol na Herdade do Esporão

reguengos5

Stay tuned…

 

 

 

 

Alentejo

“Searas de trigo louro

Que o sol fecunda e aquece.

Cada aldeia é um tesouro,

Quem as viu, nunca se esquece.”

poeta Manuel Parente Trindade


Devo começar por me confessar “Alentejo dependente”. E porquê?

Porque no Alentejo vive-se uma vida mais lenta, mais plena, mais calma. Longe das grandes cidades e da confusão, da correria do dia-a-dia aprecia-se o que de melhor (pelo menos para mim) a vida tem, boa comida e bom vinho.

No Alentejo come-se e bebe-se muito bem. Beber, comer, petiscar por aqui é um estilo de vida, e meus amigos haverá lá melhor forma de viver.

Monsaraz
Monsaraz
Herdade do Esporão
Herdade do Esporão

Vou deambular muito por este “meu” Alentejo, por onde já andei, e por onde ainda vou andar.

Pelos vinhos do meu coração! Herdade do Esporão, Carmim, Borba, Redondo, Cartuxa entre muitos, muitos outros.

Pela comida! Oh senhores… por onde começar! Sopa de cação, Sopa da panela, Lagartos, Migas, Enchidos … os queijos!!!

Alentejo
Alentejo

 

let the journey begin…